Andrade toma posse sem discurso na Petrobras

Um dia após tomar posse como presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade participa hoje de sua primeira reunião no conselho de administração da companhia. Na petroleira, o CEO também integra o colegiado, responsável por definir as estratégias de negócios da empresa. Ontem, Paes de Andrade assumiu como presidente, na sede da companhia, no Rio, em um ato classificado pela empresa como “agenda interna”. O evento não teve transmissão pela internet e o executivo não discursou como costuma ser o rito na estatal. No fim da manhã, a Petrobras divulgou foto da posse.

O Valor apurou que, depois de assinar o livro de posse, Paes de Andrade conversou com executivos da empresa, e manifestou interesse sobre dois temas: as verbas de publicidade da estatal e a eleição do novo conselho de administração da companhia em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) ainda a ser marcada.

Como noticiou ontem o Valor, Paes de Andrade tinha dado indicações, antes da posse, que uma de suas primeiras preocupações é se inteirar sobre a verba de publicidade. Em 2021, a Petrobras gastou R$ 138 milhões em publicidade, 89% a mais do que a média dos dois primeiros anos do atual governo. O controle da verba publicitária é ainda mais estratégica neste ano, embora a partir do começo de julho a Petrobras tenha restrições para fazer campanhas por força da legislação eleitoral.

O jornal “O Globo” publicou ontem que no dia 19 de julho vencem os contratos das agências DPZ e Propeg, responsáveis pelas campanhas publicitárias da estatal desde 2017. A empresa abriu, no começo do ano, processo de concorrência para escolher duas agências para gerenciar verba estimada em R$ 375 milhões para dois anos e meio de contrato, informou o jornal. Há oito agências no páreo: Ogilvy, Propeg, DPZT, Artplan, Binder, Heads, Agência Nacional e Nova SB.

O interesse do governo sobre as verbas de publicidade da Petrobras vem da época em que Roberto Castello Branco ocupava a presidência da empresa, dizem fontes. Castello Branco foi o primeiro presidente da Petrobras no governo Bolsonaro. Acabou demitido pelo presidente da República em fevereiro de 2021. Desde então a Petrobras teve mais dois presidentes eleitos – Joaquim Silva e Luna e José Mauro Coelho – e um interino, o diretor de exploração e produção da estatal, Fernando Borges, que ficou no cargo entre a renúncia de Coelho, no dia 20, e a posse de Paes de Andrade, ontem.

Na posse, Paes de Andrade também buscou informações sobre a realização da AGE, que irá eleger o novo conselho da empresa até abril de 2023, e fez sondagens sobre o andamento da análise dos candidatos ao colegiado da petroleira. Dos oito nomes indicados pela União para o conselho, apenas o de Paes de Andrade foi avaliado até agora pelo Comitê de Elegibilidade (Celeg), ligado ao Comitê de Pessoas (COPE), da empresa. Os outros sete nomes ainda terão que passar pela análise do Celeg e a perspectiva, ontem, era que esse processo não esteja concluído antes de meados de julho. Dois nomes devem enfrentar dificuldade para serem aprovados: Ricardo Soriano de Alencar, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), e Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, secretário-executivo da Casa Civil da Presidência da República. Alencar tem conflito de interesses uma vez que a PGFN defende a Fazenda em processos contra a Petrobras. Castro precisaria se desvincular da Casa Civil para assumir.

Ontem a FUP, Residentes da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras e Anapetro ingressaram com ação popular, na Justiça Federal do Rio, contra a nomeação de Paes de Andrade. Na ação, alegam que a posse como CEO viola o Estatuto da Petrobras, a Lei das Estatais e a Lei das Sociedades Anônimas.

Fonte: Valor Econômico – https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/06/29/andrade-toma-posse-sem-discurso-na-petrobras.ghtml

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