Estatal reduz preço da gasolina duas vezes em julho

A Petrobras anunciou na manhã de quinta (28) uma redução de 3,88% no preço do litro da gasolina vendido nas refinarias às distribuidoras, que passou de um valor médio de R$ 3,86 para R$ 3,71. A mudança ocorre menos de dez dias depois do último reajuste na gasolina, em 19 de julho, quando a companhia havia anunciado um corte de 4,9% no combustível. A companhia também anunciou reduções nos reajustes mensais de querosene de aviação (QAV), da gasolina de aviação (GAV) e do asfalto. Assim como na semana passada, não houve alteração no diesel.

De acordo com a estatal, a redução na gasolina acompanha a evolução dos preços de referência, que se estabilizaram em patamar inferior. A petroleira ressaltou que a redução é coerente com a prática de preços da companhia, que busca o equilíbrio com o mercado global sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural.

Segundo a companhia, considerando a mistura obrigatória de 73% de gasolina A e 27% de etanol anidro para a composição da gasolina comercializada nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará de R$ 2,81, em média, para R$ 2,70 a cada litro vendido na bomba.

Para os combustíveis reajustados mensalmente, as alterações nos preços passam a valer em 1º de agosto. É o caso do QAV, que terá queda de 2,6%, e do GAV, que terá redução de 5,7%, assim como do asfalto, com um corte de 4,5%. A companhia lembrou em nota que os preços desses combustíveis são definidos por meio de uma fórmula contratual negociada com as distribuidoras.

As alterações foram anunciadas no dia seguinte à publicação da nova diretriz da política de preços da estatal, que confirmou o papel do conselho de administração como supervisor das decisões da diretoria executiva da empresa a respeito desse tema.

A redução no preço da gasolina está em linha com a redução esperada pela consultoria StoneX, mas há um espaço para cortes no preço do diesel, de acordo com o consultor em gerenciamento de risco, Pedro Shinzato.

A StoneX calculava, próximo ao fim do dia de ontem, que o diesel vendido pela Petrobras estava R$ 0,396 acima dos preços internacionais, o que indicava potencial para um corte de 7% para atingir a paridade com os preços internacionais.

Na manhã de ontem, a Associação Brasileira dos Importadores dos Combustíveis (Abicom) estimou que o diesel da Petrobras tinha potencial para uma queda de 2%, equivalente um corte de R$ 0,10 no preço médio.

No entanto, o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, disse que a volatilidade dos preços do diesel no mercado internacional dificulta uma alteração nos preços nacionais.

“Acho que não é prudente fazer um reajuste do diesel no momento, a volatilidade é maior e há risco de um aumento de custo no mercado internacional”, afirmou Araújo.

O diesel foi reajustado pela última vez em 17 de junho, quando passou a ser vendido ao preço médio de R$ R$ 5,61 por litro.

Cálculos do Valor Data mostram que o preço do Brent, principal referência internacional para o petróleo, caiu 13,1% entre a data do último reajuste do diesel e quarta-feira, dia que deve ter sido usado como base para a redução da gasolina, na avaliação de analistas.

Para o banco Credit Suisse, o corte no preço da gasolina é “marginalmente positivo” pois ajuda a reduzir as pressões políticas sobre a estatal.

O Goldman Sachs acredita que as margens de refino da Petrobras seguem em níveis saudáveis, mas estima que a gasolina da estatal está agora 19% abaixo da cotação no Golfo do México americano, uma das principais regiões de refino do mundo.

Já o diesel da Petrobras está 6% acima das cotações internacionais, segundo o banco. O Goldman Sachs calcula que houve uma redução do preço da gasolina no mercado internacional equivalente a 4% em reais desde o último reajuste da Petrobras, na semana passada.

Fonte: Valor Econômico – https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/07/29/estatal-reduz-preco-da-gasolina-duas-vezes-em-julho.ghtml

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