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COMUNICADO AO SETOR: Revisão dos custos operacionais e atualização dos valores dos serviços

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Recomendações para revisão de preços e reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos

O SINDIPESA recomenda às empresas do setor de transporte e movimentação de cargas pesadas e excepcionais que promovam a revisão de suas estruturas de custos, tabelas de preços e contratos comerciais, diante da elevação dos custos operacionais, das mudanças na legislação trabalhista e dos impactos da transição da Reforma Tributária.

O cenário atual exige atenção especial à sustentabilidade financeira das operações, considerando a pressão sobre os principais insumos e a necessidade de preservar a capacidade operacional das empresas.

Principais fatores de impacto:

1. Mudanças na jornada de trabalho
A promulgação da Emenda Constitucional nº 141, em 16 de outubro de 2026, estabeleceu a redução progressiva da jornada máxima semanal de trabalho, sem redução salarial, além da garantia de dois dias de repouso semanal remunerado.

Conforme o cronograma previsto na Emenda, a jornada máxima será reduzida de 44 para 42 horas semanais após dois meses da publicação e, posteriormente, para 40 horas semanais, um ano após o início da primeira etapa. A implementação exigirá a reorganização das escalas, dos turnos e do dimensionamento das equipes.

Para as empresas que dependem de motoristas, operadores, equipes de apoio, manutenção, movimentação de cargas e pessoal de planejamento operacional, a mudança poderá gerar impactos relevantes, especialmente nas operações que demandam atendimento contínuo, cumprimento de janelas logísticas e disponibilidade de equipes em períodos determinados.

Sob a perspectiva técnica, a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais representa uma diminuição de aproximadamente 9,1% nas horas semanais disponíveis por trabalhador. Mantida a remuneração, o custo salarial por hora aumenta aproximadamente 10%, antes de considerar eventuais contratações adicionais, encargos incrementais e outros efeitos operacionais.

Esse percentual não representa, isoladamente, o aumento total dos custos da empresa, pois o impacto efetivo dependerá da estrutura de pessoal, das escalas já praticadas, dos ganhos de produtividade e das características de cada contrato.

A alteração da jornada de trabalho e a transição da escala 6×1 exigirão adequações no planejamento das equipes, na cobertura operacional e na organização dos turnos.

Dependendo das características de cada empresa, essas mudanças poderão elevar os custos de mão de obra, encargos, contratações e horas adicionais necessárias para manter o nível de serviço.

2. Reforma Tributária
A implementação gradual da Reforma Tributária exige revisão dos sistemas fiscais, dos procedimentos administrativos, dos créditos tributários e das cláusulas contratuais.

É importante destacar que a reforma não implica, necessariamente, aumento uniforme da carga tributária para todas as empresas. O efeito líquido dependerá da atividade, do regime tributário, da composição dos custos, dos créditos recuperáveis e da natureza dos clientes e operações.

Por essa razão, a recomendação do SINDIPESA é que cada empresa realize simulações tributárias próprias e incorpore aos preços os impactos efetivamente apurados, evitando tanto a subestimação dos custos quanto a aplicação de percentuais sem fundamentação técnica.

3. Combustível e subsídios governamentais
O diesel representa uma parcela significativa dos custos operacionais do transporte e movimentação de cargas pesadas e excepcionais. Sua variação de preço afeta diretamente a rentabilidade das empresas do setor.

A política governamental de subvenção ao diesel, por sua natureza temporária e sujeita a condições e prazos específicos, constitui outro fator relevante para o planejamento financeiro. Uma eventual redução, interrupção ou não renovação do benefício poderá pressionar os preços do combustível, caso seus efeitos sejam repassados ao mercado.

Embora esse cenário não represente um aumento futuro já confirmado, sua possibilidade recomenda que as empresas considerem diferentes cenários de custo em seus orçamentos e projeções financeiras, evitando que uma eventual elevação do diesel comprometa as margens operacionais.

A eventual redução ou interrupção desse benefício poderá pressionar novamente os preços do combustível, ampliando os custos das empresas. Trata-se de um risco prospectivo decorrente do encerramento da medida.

Recomendação de atualização dos valores dos serviços
Diante disso, o SINDIPESA orienta as empresas do segmento a promoverem, com a maior brevidade possível, uma avaliação econômico-financeira de suas operações, utilizando a faixa de 12 a 15% como referência inicial para estudos de atualização de preços, sem prejuízo de percentuais distintos quando a análise individual assim demonstrar, avaliando as operações mais expostas à elevação do diesel, aos custos de pessoal e à complexidade logística.

A definição do percentual deverá considerar a estrutura de custos de cada empresa, a quilometragem percorrida, o consumo de combustível, a utilização dos equipamentos, os custos de manutenção, os encargos trabalhistas, os impactos tributários e as condições contratuais.
É fundamental distinguir aumento de custos de aumento de preço: a recomposição da margem exige análise específica, pois o reajuste necessário para manter a rentabilidade pode ser superior ou inferior à variação percentual dos custos.

A referência proposta não constitui um índice obrigatório nem representa aumento uniforme comprovado para todo o setor. Cada empresa deverá fundamentar sua decisão por meio de análise econômico-financeira própria.

Orientação às empresas
As mudanças trabalhistas e tributárias representam um novo cenário de planejamento para o setor. A capacidade de absorver os impactos dependerá da eficiência operacional, da estrutura de custos, da produtividade e das condições comerciais de cada empresa.
A ausência de revisão tempestiva poderá comprometer margens, capacidade de investimento, renovação de frota, manutenção preventiva e continuidade dos serviços, sobretudo em operações de maior complexidade logística

O SINDIPESA recomenda que as empresas:
• Revisem seus contratos e tabelas de preços, especialmente os de longa duração e valores fixos.
• Atualizem suas planilhas de custos e simulem cenários de elevação do diesel, inclusive diante de eventual redução dos subsídios governamentais.
• Avaliem os efeitos da mudança de jornada e da Reforma Tributária sobre os custos efetivos.
• Negociem com seus clientes mecanismos de reajuste e revisão de preços compatíveis com a variação dos insumos e com as condições contratuais aplicáveis.

Considerações finais
A adoção de critérios técnicos, a atualização responsável dos contratos e o planejamento antecipado são medidas essenciais para preservar o equilíbrio econômico-financeiro, a capacidade de investimento, a competitividade e a sustentabilidade das empresas do setor.
O SINDIPESA reafirma seu compromisso com a representação institucional, a orientação técnica e o fortalecimento do segmento, incentivando práticas comerciais transparentes, sustentáveis e juridicamente adequadas.

Fonte: SINDIPESA