No momento, você está visualizando Transição energética do transporte exige soluções complementares e viabilidade econômica, defende CNT

Transição energética do transporte exige soluções complementares e viabilidade econômica, defende CNT

  • Post publicado:
  • Categoria do post:Transportes

Durante o Frotas & Fretes Verdes – XV Summit 2026, diretor de Relações Institucionais da Confederação destacou a importância de segurança jurídica, financiamento e políticas públicas para modernizar a frota brasileira

A transição energética do transporte brasileiro exige mais do que a disponibilidade de novas tecnologias. Depende de políticas públicas consistentes, financiamento, segurança jurídica e viabilidade econômica para os transportadores. A avaliação foi apresentada pelo diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, durante o painel “Políticas Públicas, Capital e Governança para a Frota Verde”, realizado nesta quinta-feira (29), em São Paulo (SP), como parte da programação do Frotas & Fretes Verdes – XV Summit 2026. O debate reuniu representantes do setor produtivo, da academia e de instituições financeiras para discutir caminhos para financiar, regulamentar e viabilizar a modernização da frota nacional.

Na abertura do painel, Valter destacou a expressiva participação do transporte no consumo de diesel do país, superior a 85%, e ressaltou a necessidade de criar condições para que a transição seja economicamente sustentável. “A transição energética não acontece apenas porque uma tecnologia está disponível. Ela depende de estrutura, financiamento, segurança jurídica, previsibilidade regulatória, mensuração confiável dos resultados e viabilidade econômica para quem compra, opera e mantém os veículos”, afirmou.

O diretor também defendeu que as alternativas energéticas sejam avaliadas de forma complementar, considerando as características de cada operação. “Para a CNT, não existe uma única solução capaz de responder a todas as necessidades do setor. Eletrificação, biocombustíveis, renovação de frota e integração entre os diferentes modos de transporte devem ser analisados de forma complementar”, pontuou.

O presidente da Aurum Energia e ex-presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, apresentou um panorama das políticas brasileiras de incentivo aos biocombustíveis, com destaque para o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.

Segundo ele, essas iniciativas contribuem para ampliar a participação dos combustíveis renováveis na matriz energética, estimular a redução de emissões e oferecer previsibilidade ao mercado. Coelho também chamou a atenção para o impacto socioeconômico da cadeia produtiva do biodiesel. “Os biocombustíveis têm um papel estratégico na matriz energética brasileira. Políticas como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro contribuem para ampliar sua participação, estimular a redução de emissões e oferecer previsibilidade ao mercado, criando condições para novos investimentos no setor”, destacou.

O chefe do Departamento de Transportes e Logística do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Tiago Ferreira, abordou a importância do financiamento de longo prazo para expandir a infraestrutura e modernizar o setor. Ele ressaltou que a atuação do banco pode contribuir para atrair investidores privados e ampliar os recursos disponíveis para projetos de transporte.

Entre os instrumentos apresentados estão as debêntures de infraestrutura, que permitem mobilizar recursos de diferentes agentes do mercado. “O grande desafio é estruturar mecanismos capazes de mobilizar diferentes fontes de recursos e ampliar a participação do capital privado nos investimentos em infraestrutura. O BNDES tem atuado estrategicamente nesse sentido, contribuindo para viabilizar projetos e atrair novos investidores”, explicou.

Professor da USP (Universidade de São Paulo), Weber Amaral apresentou uma proposta de mecanismo para gerar créditos de carbono a partir da substituição de caminhões antigos por veículos mais eficientes. A iniciativa prevê o monitoramento da redução de emissões, o registro da substituição dos veículos e a verificação dos resultados ao longo da operação.

Para o pesquisador, os créditos podem representar uma fonte adicional de recursos para apoiar a renovação da frota, embora não sejam suficientes para financiar integralmente a aquisição dos novos veículos. “O crédito de carbono não vai pagar o caminhão novo, mas será mais uma camada importante para ajudar nessa transição energética”, disse.

Já o head de Inteligência de Mercado da Gás Verde, Daniel Laterza, apresentou experiências de utilização do biometano no transporte e destacou o potencial de expansão desse combustível para descarbonizar a logística. Entre os exemplos, citou o projeto desenvolvido com a L’Oréal, que utiliza 25 caminhões abastecidos integralmente com biometano no transporte de produtos até o centro de distribuição da empresa.

Laterza também destacou a implantação de corredores de abastecimento entre Rio de Janeiro e São Paulo, com previsão de início da operação no primeiro trimestre de 2027 e capacidade para atender até 200 caminhões por fluxo. Segundo ele, a expansão da infraestrutura e o interesse dos embarcadores serão fundamentais para impulsionar a adoção de combustíveis renováveis. “Essa demanda já se tornou um divisor de águas. Eles passam a olhar isso como um diferencial competitivo de qualquer transportador”, avaliou.

Fonte: Agência CNT Atual