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Setor de logística no Brasil registra aumento de alertas de cibersegurança

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Relatório apontou mais de 1.800 alertas críticos de cibersegurança em três meses e aumento da exposição do setor a ataques digitais ligados a ransomware e vazamento de dados

O setor logístico brasileiro registrou mais de 1.800 alertas de alta e crítica severidade relacionados a CVEs, ransomware e técnicas associadas a agentes de ameaça nos últimos três meses. Os dados fazem parte do relatório “Estado da cibersegurança na logística brasileira 2025”, produzido pela Ingeni.

Segundo o levantamento, todos os casos foram identificados e tratados na plataforma RIS (Risk Information & Security), utilizada para centralizar dados de segurança. Quando considerados todos os níveis de criticidade, o volume ultrapassa 58 mil alertas registrados nos últimos 12 meses.

O estudo apontou que o setor logístico passou a figurar entre os mais atacados globalmente em 2025, com 283 incidentes confirmados de ransomware no período. No Brasil, os ataques ao transporte de cargas dobraram, com predominância de casos relacionados à extorsão de dados.

De acordo com o relatório, a ampliação da conectividade nas operações aumentou a superfície de ataque das empresas do setor, que utilizam sistemas de tecnologia da informação (TI), tecnologia operacional (OT) e dispositivos conectados, como sensores, câmeras e sistemas telemáticos.

Falhas como uso de senhas padrão, ausência de criptografia, sistemas desatualizados e falta de segmentação de redes aparecem entre os fatores apontados como facilitadores para ataques cibernéticos. O documento também destaca os portos brasileiros como pontos de atenção devido ao elevado fluxo de cargas e à integração entre sistemas públicos, privados e internacionais.

MATURIDADE EM CIBERSEGURANÇA NA LOGÍSTICA
O nível de maturidade e os investimentos em cibersegurança no setor logístico brasileiro ainda enfrentam desafios estruturais relevantes. Embora haja avanços e maior conscientização sobre o tema, dados de pesquisas recentes indicam que pilares essenciais, como governança, liderança dedicada e preparo para resposta a crises, ainda não acompanham o grau de criticidade e a complexidade das operações logísticas.

De acordo com o CEO da Redbelt Security, Eduardo Lope, no setor logístico é fundamental reconhecer que cada modal apresenta níveis distintos de maturidade e exposição ao risco cibernético.

“Portos e aviação, por exemplo, já operam com maior grau de regulação sobre segurança, enquanto o transporte rodoviário, que concentra grande parte das operações no Brasil, ainda enfrenta desafios relevantes, especialmente na gestão de identidade, na proteção de sistemas de rastreamento e na segurança de terceiros. Apesar dessas diferenças, todos compartilham uma característica essencial, a dependência de operações contínuas, em que qualquer interrupção gera impacto imediato no negócio”, explicou.

De acordo com a empresa, operações logísticas funcionam em ritmo contínuo, com alta dependência de tecnologia, pessoas e terceiros. Frotas em movimento, centros de distribuição automatizados, sistemas legados convivendo com plataformas digitais e integrações constantes com parceiros formam um ambiente no qual a segurança não pode desacelerar a operação.

Nesse contexto, maturidade em cibersegurança não se mede pelo número de ferramentas implantadas, mas pela capacidade de sustentar decisões sob pressão e preservar a continuidade operacional diante de incidentes.

“Na logística, a segurança precisa estar integrada à operação de forma quase invisível, acompanhando o ritmo do negócio sem criar fricções. Mais do que bloquear ameaças, o verdadeiro diferencial está em garantir que, mesmo diante de um incidente, a operação continue funcionando com o menor impacto possível, mantendo a confiança de clientes e parceiros”, ressaltou.

MERCADO GLOBAL DE CIBERSEGURANÇA
O avanço das ameaças digitais ocorre em paralelo ao crescimento do mercado global de cibersegurança. Segundo dados da Grand View Research, o setor foi estimado em US$ 271,88 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 663,24 bilhões até 2033, com taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 11,9% entre 2026 e 2033.

Entre os fatores apontados para o crescimento estão o aumento dos ataques cibernéticos, a expansão das plataformas de comércio eletrônico, o avanço de dispositivos inteligentes e a adoção da computação em nuvem.

A pesquisa indica que a América do Norte concentrou 37,9% da receita global do mercado em 2025, enquanto a Ásia-Pacífico aparece como a região de crescimento mais acelerado. O segmento de hardware liderou a participação de receita no período, com 54,2%, e a Gestão de Identidade e Acesso (IAM) foi a principal solução adotada no mercado.

Fonte: Mundo Logística