No momento, você está visualizando Rodovias têm baixa capacidade de reduzir acidentes graves, diz CNT

Rodovias têm baixa capacidade de reduzir acidentes graves, diz CNT

Estudo aponta que os piores indicadores de preparação para reduzir a gravidade de sinistros se concentram no Norte e Nordeste

As rodovias brasileiras apresentam baixa capacidade de reduzir a gravidade de acidentes, segundo o Painel CNT de Rodovias que Perdoam, elaborado pela CNT (Confederação Nacional do Transporte).

O levantamento, obtido antecipadamente pela CNN, mede o chamado Índice de Perdão, indicador que avalia o quanto a infraestrutura de uma rodovia é capaz de minimizar as consequências de um acidente para motoristas e passageiros.

O índice é calculado a partir de elementos como acostamentos, barreiras de proteção, defensas metálicas, áreas livres de obstáculos e outros dispositivos de segurança passiva. O indicador não mede a quantidade de acidentes, mas a probabilidade de que eles resultem em mortes ou feridos graves.

De acordo com o estudo, 37,5% da malha rodoviária analisada foi classificada com Baixo Índice de Perdão, enquanto 42,7% ficaram na faixa intermediária e apenas 19,9% alcançaram Alto Índice de Perdão.

Na prática, isso significa que mais de 80% das rodovias avaliadas apresentam condições em que falhas de infraestrutura, somadas a erros humanos ou problemas mecânicos, podem resultar em acidentes graves ou fatais.

A pesquisa mostra uma diferença entre os dados das rodovias concedidas e aquelas administradas diretamente pelo poder público. Nas estradas públicas, 50% da extensão avaliada foi classificada com Baixo Índice de Perdão, enquanto apenas 4,8% alcançaram o nível mais elevado de segurança. Já nas rodovias concedidas, o cenário é inverso: 62% dos trechos apresentam Alto Índice de Perdão e apenas 2,4% ficaram na pior classificação.

Segundo a CNT, a situação das rodovias públicas piorou em relação ao ano passado. O percentual de trechos classificados com Alto Índice de Perdão caiu de 6,2% para 4,8%.

A diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, afirmou que “a qualidade da infraestrutura viária impacta diretamente a gravidade dos acidentes. Embora o cenário nacional indique estabilidade, os resultados mostram que os avanços ainda são desiguais, reforçando a necessidade de ampliar investimentos em segurança viária, especialmente nas rodovias sob gestão pública”.

A análise também evidencia desigualdades regionais. Os melhores resultados estão concentrados principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde há maior presença de concessões rodoviárias. Já Norte, Nordeste e Centro-Oeste concentram corredores com índices médios e baixos de perdão, inclusive em rotas estratégicas para o transporte de cargas e passageiros.

Os dados por estado reforçam esse cenário. São Paulo aparece com o maior número de rodovias classificadas com Alto Índice de Perdão, seguido por Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Na outra ponta, Amapá e Roraima não contam com nenhuma rodovia na maior classificação.

Fonte: CNN Brasil