Após mais de uma década de articulações entre municípios da Campanha e do sul do Estado, a rodovia Transcampesina deve avançar nos próximos dias com a assinatura do contrato para elaboração dos estudos técnicos do projeto. A futura obra está estimada em R$ 600 milhões.
Com 176 quilômetros de extensão previstos, a nova rodovia deve conectar municípios como Aceguá, Hulha Negra, Candiota, Pinheiro Machado, Pedras Altas e Herval às BRs-153 e 293, consideradas estratégicas para o escoamento da produção agropecuária até o Porto do Rio Grande, além da ligação com centros consumidores e a fronteira com o Uruguai.
Atualmente, a BR-293 conecta cidades da Campanha a Pelotas e à região portuária do sul do Estado, enquanto a BR-153 liga Aceguá a outras regiões do país e ao território uruguaio.
Para os primeiros avanços do projeto, já há R$ 15,5 milhões assegurados no Orçamento da União. Os recursos devem viabilizar a execução de um trecho inicial da obra.
Segundo o prefeito de Candiota e presidente do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental dos Municípios da Bacia do Rio Jaguarão (Cideja), Luiz Carlos Folador, a proposta busca melhorar a logística regional e ampliar as condições de permanência das famílias no campo.
— A rodovia será um tronco coletor das vias secundárias, atualmente não pavimentadas, que movimentará a produção regional de milhares de famílias de agricultores e centenas de iniciativas agroindustriais de baixo, médio e alto valor agregado — afirma.
Neste momento, o projeto está na fase de elaboração dos estudos técnicos, responsáveis por definir traçado, viabilidade e detalhes operacionais da futura rodovia. O contrato com o Fonplata, banco de desenvolvimento que financiará essa etapa, deve ser assinado nos próximos dias.
Os estudos serão conduzidos pela empresa Consenge Consultoria e Projetos de Engenharia, com prazo estimado de 90 dias para conclusão.
A expectativa é de que cerca de oito mil famílias sejam beneficiadas diretamente pela nova ligação rodoviária, incluindo pequenos, médios e grandes produtores rurais, além de comunidades quilombolas e assentamentos da reforma agrária.
De forma indireta, o impacto pode alcançar aproximadamente 100 mil pessoas em municípios da região sul, oeste e fronteira sudoeste do Estado.
Além da melhoria logística, a projeção é de fortalecimento de cadeias produtivas ligadas ao leite, sementes e agroindústrias, além da atração de novos empreendimentos voltados ao setor agropecuário.
— A rodovia deve estimular a ampliação da produção de leite in natura, da produção de sementes e da instalação de iniciativas industriais ligadas à vocação produtiva regional, além de ampliar serviços relacionados ao setor agropecuário e melhorar condições habitacionais — destaca Folador.
Durante a execução, a expectativa é de geração de empregos ligados diretamente às obras e às atividades econômicas impulsionadas pela nova infraestrutura.
— O projeto deve criar um canteiro de obras com potencial para gerar mais de uma centena de empregos diretos e indiretos, contribuindo para o desenvolvimento regional — conclui o prefeito.
Fonte: GZH
