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Petrobras sinaliza que não vai congelar preço dos combustíveis, mas espera maior clareza sobre petróleo

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Valor do preço do barril Brent, referência no mercado internacional, enfrenta forte oscilação, ora acima de US$ 100, ora abaixo, em função da guerra no Oriente Médio

A direção da Petrobras tem sinalizado ao governo que pode aguardar uma maior clareza e consolidação no preço do barril do petróleo antes de reajustar o valor dos combustíveis, especialmente do diesel, no mercado interno. A avaliação é que ainda há dúvidas sobre a tendência de consolidação da cotação internacional do petróleo.

O preço do barril Brent, referência no mercado internacional, enfrenta forte oscilação, ora acima de US$ 100, ora abaixo, em função da guerra no Oriente Médio. Mas um congelamento de preço por prazo indefinido, diante das incertezas em relação ao conflito, teria efeitos sobre a governança da empresa e prejudicaria os acionistas, dizem dirigentes da estatal. Procurada, a empresa não se manifestou.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, mantém conversas frequentes com o presidente Liz Inácio Lula da Silva. Segundo interlocutores, a executiva tem defendido a política de preços da companhia tanto para baixo quanto para cima. Também tem apontado um movimento de especulação no mercado para garantir margens consideradas por ela “exorbitantes” nesse momento.

Diante da imprevisibilidade em relação ao desfecho no cenário internacional, a empresa tem defendido junto ao governo que é preciso buscar uma solução. Contudo, com menor impacto possível para a Petrobras.

Cálculos da Associação dos Importadores de Combustíveis (Abicom) apontam uma “defasagem” de 53% no diesel da Petrobras frente ao preço internacional e de 36% na gasolina. A empresa já fez um reajuste no diesel, acompanhado de medidas do governo para reduzir o impacto tributário.

Em ano eleitoral, a maior preocupação do presidente Lula é buscar evitar que as famílias sejam afetadas pelos efeitos da guerra, com aumento nos preços do diesel e dos alimentos de forma generalizada. A ordem para o Ministério da Fazenda e da Casa Civil é recorrer a todos os instrumentos “de Estado”, disse um técnico da área econômica, para contornar a situação.

O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que está à frente das conversas, tem buscado dissociar das soluções do passado, como congelar preços.

A estratégia, no momento, é adotar medidas no campo tributário, com a colaboração dos principais envolvidos, governo federal, estados, importadores e produtores, além de apertar a fiscalização contra preços abusivos.

Na semana passada, a Fazenda zerou as contribuições do PIS/Cofins sobre o diesel e tributou em 12% as exportações de petróleo. E na próxima sexta-feira, a pasta espera fechar um acordo com os secretários estaduais de Fazenda em relação ao ICMS cobrado na importação do combustível.

O plano agora é conceder um subsídio direto aos importadores de diesel em vez de um corte do ICMS, como proposto anteriormente. O impacto é estimado em R$ 3 bilhões para cada parte, por dois meses de medida, até final de maio.

Técnicos da Fazenda admitem não ser possível afirmar se as medidas serão suficientes e argumentam que novas providências poderão ser tomadas em caso de acirramento do conflito.

Fonte: O Globo