Ainda que o presidente norte-americano, Donald Trump, tente conter os avanços da commodity, os efeitos já começam a ser sentidos e podem impactar a inflação em nível global
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã aumentou os preços do diesel e da gasolina mundo afora, inclusive no Brasil. Por aqui, a diferença entre os preços dos combustíveis praticados no país em relação às cotações internacionais aumentou devido à disparada do petróleo. Ainda que o presidente norte-americano, Donald Trump, tente conter os avanços da commodity, os efeitos já começam a ser sentidos e podem impactar a inflação em nível global.
No Brasil
Segundo o Valor Econômico, cálculos de consultorias e associações do setor apontam que a diferença no diesel já supera 20%, enquanto a gasolina também passou a registrar defasagem de dois dígitos desde os primeiros ataques no fim de semana.
De acordo com o jornal, dados da StoneX mostram que, antes dos ataques, o diesel da Petrobras estava levemente abaixo da paridade de importação. Com a alta recente do Brent, que voltou a operar acima de US$ 80 o barril, a defasagem saltou para perto de 30% em relação ao preço mínimo de importação e supera 35% na comparação com o Golfo do México.
No caso da gasolina, a diferença já se aproxima de 20%. A Abicom calcula que o descasamento no diesel pode chegar a 40%, dependendo da referência utilizada.
Ainda segundo o Valor, os produtos vêm sendo reprecificados no mercado, mas não há clareza sobre quando a Petrobras fará eventuais reajustes. A companhia costuma evitar repasses imediatos em momentos de forte volatilidade. Isso porque ela espera maior estabilização das cotações internacionais para não promover tantas mudanças em um período curto de tempo.
Lá fora também…
O movimento, claro, não se restringe ao Brasil. Segundo jornal o Financial Times, os preços da gasolina nos EUA dispararam nos últimos dias.
De acordo com dados da associação automotiva AAA citados pela publicação, o preço médio da gasolina comum subiu para US$ 3,109 por galão na terça-feira (3), acima dos US$ 2,951 registrados uma semana antes e também acima do patamar observado no fim do governo Biden.
Analistas ouvidos pelo Financial Times alertam que a alta deve continuar, podendo levar o galão para a faixa entre US$ 3,25 e US$ 3,50 já nos próximos dias, à medida que os contratos futuros de combustíveis avançam no mercado atacadista.
O Trump até tenta…
Diante da guerra no Irã e do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz (por onde passa 20% do petróleo global), o presidente Donald Trump determinou que a United States Development Finance Corporation (DFC) ofereça seguros e garantias para proteger financeiramente navios que passam pelo Golfo Pérsico.
Para quem não se lembra Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã, é uma passagem entre o país e Omã, que separa justamente Golfo Pérsico do Mar Arábico.
A medida pode reduzir riscos para empresas e investidores, já que os EUA tentam dar mais segurança ao comércio de petróleo na região. Mas apesar do plano de Trump, nesta madrugada o petróleo seguia em alta. Por volta das 5h, o petróleo Brent subiu 3,1%, para US$ 83,92 o barril, enquanto o WTI avançou 2,4%, para US$ 73,62 o barril. A alta segue sendo impulsionada pelas preocupações com o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e, claro, pelos ataques, que podem restringir a produção da commodity.
Escalada pode impactar inflação global
É válido destacar que o petróleo é base para combustíveis e para o transporte de praticamente todos os produtos. Quando o barril sobe, empresas pagam mais caro por gasolina, diesel e energia, o que encarece a produção e a distribuição de muitos itens, desde alimentos, roupas e outros bens.
E para manter suas margens, essas empresas repassam esses custos ao consumidor final. Como o petróleo também influencia o preço de plásticos, fertilizantes e diversos insumos industriais, o efeito se espalha por toda a economia, pressionando os preços em geral e aumentando a inflação.
Fonte: Valor Investe
