Pesagem fiscaliza excesso de carga, verifica peso por eixo e avança para modelos automáticos capazes de pesar caminhões em movimento
Presentes em rodovias de todo o país, as balanças de caminhão são sistemas usados para fiscalizar excesso de carga, peso por eixo e evasão de pesagem no transporte rodoviário. Regulados pelas normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), os equipamentos verificam se caminhões, ônibus e outros veículos pesados circulam dentro dos limites previstos pela legislação.
O objetivo é reduzir danos ao pavimento e aumentar a segurança nas estradas. Nos últimos anos, a fiscalização também passou a incorporar modelos automatizados capazes de medir o peso do veículo sem necessidade de parada.
O que é a balança de pesagem?
As balanças ficam instaladas nos chamados Pontos de Pesagem Veicular (PPV), normalmente anexos às rodovias. A função é verificar se o veículo respeita o Peso Bruto Total (PBT) permitido por lei e se a carga está corretamente distribuída entre os eixos.
Segundo as regras atuais, devem passar pela pesagem ônibus, micro-ônibus, caminhões, caminhão-trator, reboques, semirreboques e combinações de veículos acima de 3,5 toneladas. A chamada “Lei da Balança” é o nome popular do conjunto de normas que regulamenta a fiscalização do excesso de peso no Brasil.
Como funciona a pesagem?
Nas balanças fixas, também chamadas de estáticas, o caminhão passa por plataformas de pesagem que medem o peso eixo por eixo. A soma desses valores gera o Peso Bruto Total do veículo.
Quando a balança está aberta, o motorista deve acessar a área de pesagem. A primeira triagem normalmente ocorre em velocidade reduzida. Se não houver indício de irregularidade, o caminhão é liberado.
Caso o sistema identifique possível excesso, o veículo segue para uma segunda pesagem de precisão. Se a irregularidade for confirmada, o caminhão pode ser direcionado ao pátio para regularização da carga, transbordo ou remanejamento do peso entre os eixos.
Além do peso total, a fiscalização também avalia o peso distribuído por eixo. Isso ocorre porque um caminhão pode estar dentro do limite total permitido, mas ainda assim apresentar excesso concentrado em determinada parte da composição.
Como funcionam as balanças em movimento
Nos últimos anos, concessionárias passaram a implantar sistemas de pesagem dinâmica conhecidos como WIM, sigla para Weigh in Motion. A tecnologia permite medir o peso de caminhões enquanto os veículos trafegam pela rodovia, sem necessidade de parada ou desvio para postos laterais.
O sistema utiliza sensores piezoelétricos instalados no asfalto para captar o peso aplicado pelos eixos do caminhão. Laços indutivos e outros sensores complementares identificam o veículo, calculam velocidade, distância entre eixos e classificam automaticamente o tipo de composição.
Segundo a WimRadar, empresa do grupo Pumatronix responsável pelo sistema ITSWIM, a tecnologia realiza a pesagem de veículos “sem a necessidade de parada, analisando o peso por eixo e distância entre eixos”.
O sistema também integra câmeras frontais, traseiras e panorâmicas com leitura automática de placas por OCR. De acordo com a empresa, a plataforma consegue registrar imagens do veículo, identificar características como modelo e categoria e associar os dados ao peso aferido.
Outra função é a análise dinâmica do comportamento do caminhão durante a passagem pelos sensores. Segundo a fabricante, o equipamento consegue monitorar aceleração e desaceleração do veículo para reduzir distorções na leitura do peso.
Quando a balança pode multar automaticamente
Este é um dos pontos mais importantes da nova geração de balanças WIM: nem todo equipamento instalado nas rodovias está habilitado a gerar multas.
Os sistemas de pesagem em movimento operam em dois modos distintos. O modo estatístico, nas classes 2B e 3C, é utilizado para coleta de dados de tráfego, estudos logísticos e monitoramento do fluxo de veículos. Nesses casos, o sistema não possui validade legal para autuação.
Já o modo metrológico, classe 1A, utiliza equipamentos homologados pelo Inmetro conforme a Portaria nº 019/2022, com precisão de até 5% no PBT e 8% por eixo. Apenas esses sistemas podem ser utilizados para fiscalização automática de excesso de peso.
Na prática, isso significa que duas balanças WIM instaladas em rodovias podem ter funções diferentes: uma operando apenas para monitoramento estatístico e outra apta a registrar infrações de trânsito.
As balanças em movimento homologadas pelo Inmetro vêm sendo implantadas principalmente em concessões rodoviárias das regiões Sudeste e Centro-Oeste, incluindo trechos da BR-364/365, Via Dutra, SP-310 e BR-277.
Multas e Lei da Balança
A pesagem é obrigatória. Deixar de entrar na balança quando ela estiver em operação caracteriza evasão e é considerada infração grave pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.
Já o excesso de peso gera multa proporcional ao volume excedente, com valor base de R$ 130,16 e acréscimos conforme a quantidade de peso acima do permitido, além de retenção do veículo e obrigatoriedade de transbordo da carga excedente.
As tolerâncias atualmente em vigor são de 5% sobre o limite legal para o Peso Bruto Total e de 12,5% sobre o peso máximo regulamentar para peso por eixo ou conjunto de eixos.
Um ponto frequentemente mal interpretado pelo setor é que a tolerância por eixo não pode ser incorporada no planejamento do carregamento. Ela existe para absorver pequenas variações naturais na distribuição da carga durante o transporte, e não para ampliar a carga útil permitida.
Para veículos com PBT de até 50 toneladas, a fiscalização é feita prioritariamente pelo peso total. Se o veículo estiver regular no PBT, a análise por eixo pode ser dispensada.
Riscos do excesso de peso
O excesso de carga aumenta o desgaste das rodovias e eleva os riscos de acidentes. Quando o caminhão transporta peso acima do permitido ou mal distribuído, há maior desgaste de freios, pneus, suspensão e componentes estruturais do veículo.
A sobrecarga também compromete frenagens, curvas e estabilidade, principalmente em viagens longas ou em rodovias de pista simples. Segundo entidades do setor rodoviário, o excesso de peso acelera a degradação do asfalto e reduz a vida útil do pavimento.
Impacto no dia a dia
A fiscalização ainda gera dúvidas frequentes entre motoristas e transportadores, principalmente sobre balanças fechadas, passagem obrigatória de cavalo mecânico vazio e risco de multas automáticas.
Pelas regras atuais, veículos considerados pesados devem passar pela balança mesmo sem carga. Também existem relatos de caminhoneiros que preferem acessar balanças fechadas para evitar possíveis autuações por evasão.
Outra mudança recente é o avanço da fiscalização remota. Em alguns sistemas modernos, agentes conseguem acompanhar operações à distância e orientar procedimentos de regularização sem necessidade de presença física constante no posto de pesagem.
Futuro mais automatizado
A tendência do setor é ampliar o uso de balanças inteligentes capazes de operar sem interrupção do tráfego. Além de reduzir filas e aumentar a capacidade de fiscalização, os sistemas WIM indicam uma mudança gradual no modelo de controle de peso nas rodovias brasileiras, com monitoramento contínuo e maior integração digital entre concessionárias e órgãos de trânsito.
Fonte: Estadão
