O Brasil registrou superávit de US$ 6,4 bilhões na balança comercial de março, queda de 17,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. A queda só não foi maior em razão do aumento de 70% nas exportações de petróleo, o que ajudou a elevar as exportações totais do Brasil em 10% na comparação com março do ano passado. Já as importações subiram 20,1% no mesmo período, segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
O que aconteceu
Exportações subiram 10% em relação a março do ano passado. O Brasil exportou um total de US$ 31,7 bilhões.
Já as importações subiram 20,1% no período. O Brasil comprou US$ 25,2 bilhões de parceiros comerciais.
Ao todo, US$ 56,8 bilhões foram negociados no mercado internacional. A alta de 14,3% na chamada corrente de comércio representa a soma de importações e exportações do Brasil.
Petróleo é destaque
Em março, a exportação de óleos brutos de petróleo registrou alta de 70,4% em valores, com tendência de aumento em razão da guerra no Irã. O país vendeu US$ 4,7 bilhões no mês passado, contra US$ 2,8 bilhões em março de 2025. Em quilos, o aumento das exportações de petróleo bruto foi de 75,9%.
Para o governo, ainda é prematuro atribuir esse aumento à guerra no Irã. “Para se fazer uma afirmação de que o conflito está afetando o fluxo, é necessário esperar um pouco mais”, disse Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos do comércio exterior do Mdic.
A guerra contra o Irã restringiu o comércio de 20% do petróleo mundial. Em razão disso, a cotação do barril de Brent, referência internacional para o combustível, saltou mais de 50% desde o início da guerra.
Apenas a soja superou as vendas de petróleo. Com alta de 4,3% nas exportações, vendeu US$ 5,9 bilhões no mês passado.
Outros produtos puxaram o aumento nas exportações. São eles:
- Ouro, não monetário (excluindo minérios de ouro e seus concentrados): 92,7%;
- Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada: 29%;
- Farelos de soja e outro: 6,9%;
- Soja: 4,3%.
A exportação de outros produtos caiu:
- Café não torrado: -30,5%
- Açúcares e melaços: -24,7%
- Celulose: -14,3%
- Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja: -2,8%
China é maior parceiro comercial
O Brasil teve superávit com a China. Foram US$ 10,5 bilhões exportados pelo Brasil e US$ 6,6 bilhões importados, variação positiva de 17,8% e 32,9%, respectivamente.
Com os EUA, o comércio registrou déficit. Os norte-americanos compraram US$ 2,9 bilhões do Brasil, que importou de lá US$ 3,3 bilhões. A queda nas exportações foi de 9,1% e, nas importações, de 6,3%.
As exportações para a União Europeia cresceram 7,3%. O Brasil vendeu US$ 4,1 bilhões e importou US$ 4,7 bilhões, salto de 15% em comparação com as importações de março de 2025.
A Argentina reduziu importações brasileiras. O Brasil vendeu a eles US$ 1,47 bilhão, recuo de 5,9%, enquanto importou da Argentina US$ 1,13 bilhão, alta de 13,1%.
Principais setores
A indústria extrativa vendeu 36,4% a mais para fora do que em março do ano passado. A exportação totalizou US$ 7,36 bilhões, enquanto a importação foi de US$ 1,17 bilhão, alta de 36,4% e 24,1%, respectivamente.
As exportações do agro cresceram 1,1%; importações caíram 10,2%. O setor vendeu US$ 8,2 bilhões no mês, enquanto comprou US$ 520 milhões.
A indústria de transformação exportou 5,4% mais; importação saltou 21%. O total foi de US$ 15,8 bilhões exportados e US$ 23,3 bilhões importados em março.
Fonte: UOL
