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Venda de caminhões usados avança 8,2% em cenário de crédito caro

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Avanço indica fortalecimento do mercado secundário e maior procura por ativos

O mercado de caminhões usados reagiu em fevereiro, passando de 29.025 unidades em janeiro para 31.417 transferências no país, alta de 8,2% no mês e de 11,8% na comparação com fevereiro de 2025, quando foram negociadas 28.112 unidades, segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).

No acumulado do primeiro bimestre, as transferências somaram 60.442 unidades, crescimento de 13,3% frente ao mesmo período do ano passado. O desempenho reforça o papel do mercado secundário como alternativa para transportadores que buscam ampliar ou recompor frota com menor desembolso inicial, em um ambiente ainda desafiador do ponto de vista do crédito.

O presidente da Fenauto, Everton Fernandes, disse à Agência Transporte Moderno que eventuais programas de incentivo à renovação de frota tendem a beneficiar o mercado de usados de forma indireta. “O pequeno motorista, o transportador autônomo, tem muita dificuldade de acesso ao crédito. A aprovação é mais restrita. O benefício para eles acaba sendo indireto”, afirma.

De acordo com o executivo, a renovação das grandes frotas deve ampliar a oferta de caminhões no mercado secundário. “As grandes transportadoras vão renovar seus veículos por modelos mais tecnológicos e menos poluentes e, ao se desfazerem da frota antiga, esses caminhões virão para o mercado de seminovos e usados. Com isso, aumenta a oferta e o comprador encontra mais opções”, explica.

Fernandes destaca ainda que esse movimento pode gerar ganhos adicionais ao setor. “Além de favorecer o mercado de usados, há avanço tecnológico e ambiental, com a substituição gradual de veículos mais antigos por modelos mais eficientes.”

Os 10 caminhões usados mais vendidos
O levantamento mostra predominância de extrapesados e modelos consolidados no transporte rodoviário de cargas:

  • Volvo FH – 2.504 unidades (7,97%)
  • Ford Cargo – 2.002 (6,37%)
  • Ford F4000 – 1.217 (3,87%)
  • Mercedes-Benz Axor – 1.157 (3,68%)
  • Mercedes-Benz Atego – 1.056 (3,36%)
  • Mercedes-Benz 1113 – 885 (2,82%)
  • Mercedes-Benz 1620 – 743 (2,36%)
  • Mercedes-Benz Actros – 711 (2,26%)
  • Volvo VM – 671 (2,14%)
  • Mercedes-Benz 710 – 656 (2,09%)

O FH lidera com folga, refletindo a forte presença de extrapesados na frota nacional. Modelos médios e semipesados, como Cargo, Atego e F4000, também aparecem entre os mais negociados, indicando demanda pulverizada entre autônomos e operadores regionais.

Válvula de ajuste
Tradicionalmente, o mercado de usados funciona como mecanismo de equilíbrio do setor de transporte. Em momentos de maior cautela econômica, a procura por caminhões seminovos tende a crescer, especialmente entre autônomos e pequenas empresas que enfrentam maior restrição de crédito.

Com a perspectiva de renovação de grandes frotas ao longo do ano, a expectativa é de aumento gradual na oferta de caminhões no mercado secundário, o que pode sustentar o ritmo de negócios em 2026 — ainda que o comportamento da demanda siga sensível às condições macroeconômicas e ao custo do financiamento.

Fonte: Agência Transporte Moderno