Um amplo grupo de parlamentares e associações do setor industrial lançou em 4 de fevereiro uma nova aliança com o objetivo de consolidar a posição do Brasil como líder global em energia renovável, com foco imediato em orientar a implementação de uma legislação-chave para biocombustíveis.
A “Coalizão pelos Biocombustíveis“, apresentada na Câmara dos Deputados em Brasília, reúne quatro grandes frentes parlamentares representando o agronegócio, o biodiesel, o etanol e a economia verde. O grupo busca transformar os biocombustíveis em uma política de Estado de longo prazo, superando as mudanças nas prioridades dos governos, e atuará diretamente no processo regulatório da recentemente sancionada Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/24).
O deputado federal Arnaldo Jardim, que preside a Comissão Especial de Transição Energética da Câmara, foi nomeado coordenador-geral da coalizão. Ele enfatizou a lógica econômica por trás da iniciativa, citando os significativos investimentos já mobilizados. “Tudo isso já soma, na sua implementação, cerca de 260 bilhões de reais em investimentos“, afirmou Jardim. “Hoje nós damos um passo para que essas ações possam estar congregadas num esforço comum.”
A aliança pretende atuar como uma força de lobby unificada para o setor, defendendo mandatos claros, mecanismos de financiamento — incluindo um proposto Fundo Nacional para a Transição Energética — e o uso de critérios técnicos como a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) para mensurar o impacto ambiental. Um argumento central é a integração das políticas energética, agrícola e industrial para promover uma substituição estruturada dos combustíveis fósseis.
Jerônimo Goergen, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Biodiesel (APROBIO) e participante do lançamento, definiu a coalizão como uma ferramenta estratégica crítica. “Ela nasce para dar unidade e força a esse debate, com responsabilidade e visão de longo prazo“, disse. “Biocombustível não é discurso: é produção, tecnologia e oportunidade concreta para o país.”
Para além da agenda regulatória doméstica, a coalizão planeja um papel de advocacia internacional. O deputado Alceu Moreira, coordenador da Frente Parlamentar do Biodiesel, afirmou que o grupo trabalhará para abrir e defender mercados externos para biocombustíveis e matérias-primas brasileiras, combatendo o que descreveu como “desinformação” ambiental que poderia impactar as exportações.
Representantes do setor destacaram os benefícios ambientais projetados. André Lavor, diretor da Binatural Energias Renováveis, afirmou que o biodiesel reduz as emissões de gases de efeito estufa em mais de 80% em comparação com o diesel fóssil. Ele projetou que aumentar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 25% até 2035 poderia evitar mais de 500 milhões de toneladas de emissões de CO2.
A formação da coalizão ressalta o crescente foco institucional do legislativo brasileiro na transição energética, buscando consolidar um marco regulatório que aproveite a capacidade agroindustrial já estabelecida do país para a produção de combustíveis renováveis. Seu sucesso será medido pela capacidade de transformar o alinhamento multissetorial em regulamentações concretas e apoio político sustentado.
Fonte: Frota&Cia
