A partir de 2026, o transporte rodoviário de cargas passa a sentir os efeitos da Reforma Tributária, que altera a lógica de formação de custos das empresas, impacta diretamente o preço do frete e cobra um novo nível de planejamento financeiro e tributário por parte dos transportadores. Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), o momento exige atenção redobrada das empresas do setor.
Entre as principais mudanças estão a redução gradual dos incentivos fiscais federais, a tributação de lucros, dividendos e alta renda. Além disso, há a criação de um novo modelo de impostos sobre o consumo, com a implementação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de âmbito federal, e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência estadual e municipal.
COEXISTÊNCIA DE TRIBUTOS ANTIGOS COM O IBS E CBS
Em 2026, os novos tributos passam a conviver com o sistema atual, em um período de transição que se estende até 2032, com aplicação plena do novo modelo prevista para 2033. “A coexistência de tributos antigos com o IBS e a CBS aumenta a complexidade operacional, gera duplicidade de obrigações e eleva o risco de erros, autuações e litígios, especialmente em períodos híbridos de transição”, explicou o assessor jurídico do Setcemg, Reinaldo Lage.
“Mesmo antes da reforma estar totalmente implementada, as transportadoras precisam revisar estrutura societária, contratos, precificação e investimentos. O ano de 2026 já será de convivência entre dois sistemas tributários, o que impacta diretamente custos, margens e fluxo de caixa”, completou.
Para Lage, não se trata apenas de cumprir novas regras, mas uma necessidade para preservar competitividade, segurança jurídica e sustentabilidade dos negócios.
TECNOLOGIA NA FISCALIZAÇÃO
De acordo com o Setcemg, o novo sistema também amplia o uso da tecnologia na fiscalização, com cruzamento automático de dados fiscais e maior transparência das informações.
Nesse cenário, práticas como a sonegação deixam de ser viáveis, e os benefícios fiscais utilizados pelo transportador passam a ser visíveis aos embarcadores, influenciando diretamente as negociações de frete.
“O custo de adaptação, o aumento das obrigações acessórias e possíveis limitações ao aproveitamento de créditos podem pressionar o custo do frete, com reflexos ao longo das cadeias produtivas e potencial repasse ao consumidor final”, completou o assessor jurídico.
É PRECISO SE PREPARAR PARA A REFORMA TRIBUTÁRIA?
Para o Setcemg, a principal mensagem ao setor é clara: quem não se preparar corre o risco de perder margem, previsibilidade e competitividade. A entidade reforçou a importância de mapear os incentivos atuais, simular cenários futuros e estruturar um planejamento que considere a retirada gradual desses benefícios ao longo dos próximos anos.
“As empresas que se prepararem desde já terão maior previsibilidade de custos, menor risco jurídico e mais capacidade de negociação, enquanto quem esperar pode enfrentar ajustes emergenciais, perda de margem e insegurança contratual”, destacou Lage.
Fonte: Mundo Logística
