No momento, você está visualizando Free Flow no RS tem inadimplência de apenas 3% após expansão de tags e novos meios de pagamento

Free Flow no RS tem inadimplência de apenas 3% após expansão de tags e novos meios de pagamento

  • Categoria do post:Infraestrutura

O pedágio sem cancelas já conta com seis pórticos na Serra Gaúcha e deve se expandir para novos blocos de concessão que somam mais de R$ 12 bilhões em investimentos

O Rio Grande do Sul, pioneiro na implementação do modelo de pedágio sem cancelas no Brasil, registra resultados acima das expectativas com o sistema de cobrança automática conhecido como free flow.

De acordo com Pedro Capeluppi, secretário da Reconstrução e responsável pela área de concessões do Estado, a inadimplência no modelo está em torno de 3%, bem abaixo das projeções iniciais de 15%.

“Hoje, a cada 100 veículos que passam pelos pórticos, 97 efetuam o pagamento corretamente”, afirma o secretário no 16º episódio do programa EXAME INFRA, uma realização da EXAME em parceria com a empresa Suporte.

A adoção da tecnologia do free flow, ou fluxo livre, que vem substituindo as tradicionais praças de pedágio nas rodovias do país, só foi autorizada no Brasil pela Lei nº 14.157/2021, posteriormente, regulamentada no final de 2022 e seguida por uma experiência feita Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a antiga CCR (hoje Motiva), no Rio de Janeiro, com três pórticos.

“Nesse meio do caminho, a nossa concessão existente na Serra Gaúcha, o Bloco 3, operado pela concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG), começou a tratar conosco sobre a possibilidade de buscar essa substituição das praças físicas que seriam construídas nessa concessão pela colocação dos pórticos”, diz Capeluppi.

O modelo administrado pela CSG no Bloco 3 de rodovias abrange 271,5 quilômetros entre o Vale do Caí e a Serra Gaúcha. O contrato prevê investimentos de R$ 4,6 bilhões ao longo de 30 anos e, até o momento, já conta com seis pórticos em funcionamento no estado.

“Nos debruçamos com a equipe técnica, com a concessionária, buscando o apoio da ANTT, da CCR, para compartilhar esses dados todos, para ver como poderíamos fazer para avançar nesse processo. E conseguimos ter uma experiência muito bem-sucedida, transformamos essa concessão que teria praças físicas em Free Flow”, afirma.

Expansão do uso de tags e novos meios de pagamento

Segundo Capeluppi, um dos fatores centrais para a baixa inadimplência foi a rápida expansão da utilização de tags. No início da concessão, apenas metade dos veículos de carga utilizava o dispositivo eletrônico.

Hoje, 91% do segmento já aderiu à tecnologia. Entre todos os motoristas, 76% usam tag. “Isso é impressionante”, afirma o secretário. A estruturação de alternativas de pagamento, por parte da concessionária, também vem contribuindo para reduzir os índices de inadimplência.

“Não é só a tag que faz com que a pessoa possa passar sem preocupação. A concessionária criou um cadastro que a partir dele o motorista pode colocar créditos ali numa carteira virtual. Com essa adaptação e implementação, as pessoas têm sido mais receptivas do que a gente imaginava lá no começo, com a previsão de taxas de inadimplência muito maiores”, diz o secretário da Reconstrução.

A concessionária também montou um sistema de back office para evitar notificações erradas — ou seja, para não multar motoristas que não passaram efetivamente pelo local.

“Nós também alinhamos o incentivo, estabelecendo uma penalidade para a concessionária por notificação equivocada. Tudo isso nos possibilitou ter o sucesso que a gente tem hoje com o modelo e isso fica muito evidente quando a gente vê os outros estados, tomando como base os nossos parâmetros”, afirma.

Próximos blocos e investimentos

governo do Rio Grande do Sul prepara novos leilões de concessões rodoviárias que somam mais de R$ 12 bilhões em investimentos. Os projetos incluem duplicações, terceiras faixas e a modernização de mais de 800 quilômetros de estradas, todos estruturados já com o modelo free flow.

No caso do Bloco 2, que está em fase final de modelagem, a cobrança será ainda mais proporcional: serão 24 pontos de pedágio distribuídos ao longo do trecho, o que garante que o motorista pague apenas pela quilometragem percorrida.

Capeluppi conta que, ao assumir a secretaria em 2023, recebeu da comunidade do Vale do Taquari e do setor empresarial uma forte demanda pela substituição das praças de pedágio.

“O modelo penalizava motoristas que percorriam trechos curtos, mas eram obrigados a pagar a tarifa cheia na praça. O free flow traz mais justiça na cobrança”, diz.

Fonte: Exame / Foto: CSG/Divulgação