O estado de São Paulo registrou 1.638 roubos de carga entre janeiro e agosto de 2026, queda de 30,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo levantamento divulgado pelo SETCESP, com base em dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, esse é o menor volume registrado para os primeiros oito meses do ano desde o início da série histórica, em 2001. Na comparação com 2024, quando foram contabilizadas 3.246 ocorrências no mesmo intervalo, a redução chega a 49,5%.
O resultado de agosto também reforça a tendência de queda. Foram contabilizadas 184 ocorrências no mês, redução de 28,4% na comparação anual e o menor resultado mensal da série. Mesmo assim, o número representa uma média de aproximadamente 5,9 roubos de carga por dia, o que mantém a segurança como uma preocupação permanente para as transportadoras. Considerando os 12 meses encerrados em agosto, São Paulo somou 2.745 ocorrências, 28,3% abaixo das 3.828 registradas nos 12 meses anteriores.
Para a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), os indicadores mostram um avanço importante no enfrentamento ao crime e ocorrem em um período marcado por maior integração entre forças de segurança e setor produtivo, além do avanço do uso de inteligência e de tecnologias de gerenciamento de risco pelas empresas.
“É um resultado muito importante e que precisa ser reconhecido. A redução das ocorrências mostra que as ações de segurança vêm produzindo efeitos concretos e melhora o ambiente operacional para as transportadoras, especialmente em um estado com enorme concentração de fluxos logísticos e circulação de mercadorias”, afirma Carlos Panzan, presidente da FETCESP.
Na avaliação da Federação, a integração entre as forças de segurança, o uso de inteligência, a adoção de tecnologias de monitoramento e a cooperação com o setor produtivo são elementos importantes da estratégia de enfrentamento ao roubo de cargas. A troca de informações e a análise de dados também ampliam a capacidade de identificar padrões e direcionar ações para áreas e corredores logísticos mais vulneráveis.
Em agosto, dados apresentados no Sistema SPCARGA mostraram que São Paulo acumulava 31 meses consecutivos de queda nos roubos de carga. Na comparação entre os primeiros semestres de 2024 e 2026, a redução foi de 50% no estado.
“Os resultados mais consistentes aparecem quando poder público e setor privado trabalham de forma complementar. As empresas vêm investindo em rastreamento, gerenciamento de risco, capacitação e protocolos internos, enquanto a atuação integrada das forças de segurança amplia a prevenção e a capacidade de resposta”, destaca Panzan.
Apesar da melhora dos indicadores, os roubos de carga continuam gerando impactos para as empresas, desde riscos aos motoristas e perdas financeiras até despesas permanentes com seguros, monitoramento e estruturas de segurança. Em 2025, por exemplo, São Paulo ainda registrou 3.470 roubos de carga, e estimativas do setor apontaram perdas entre R$ 206,9 milhões e R$ 309,1 milhões apenas com mercadorias roubadas, sem considerar custos indiretos.
Para a FETCESP, a redução registrada em 2026 precisa ser consolidada com políticas de longo prazo e continuidade dos investimentos em inteligência e fiscalização.
“É importante manter e aprofundar as ações que vêm funcionando, especialmente nos corredores logísticos e regiões que concentram maior número de ocorrências. Segurança logística precisa ser tratada como uma política permanente, com planejamento, metas, indicadores e diálogo constante com as transportadoras”, afirma o presidente da entidade.
Outro ponto considerado estratégico pela Federação é o combate à receptação. Para a entidade, reduzir de forma consistente o roubo de cargas exige atuação sobre toda a estrutura que sustenta esse tipo de crime, incluindo armazenamento, distribuição e comercialização de mercadorias roubadas.
“O crime não termina na abordagem ao caminhão. Existe uma cadeia econômica por trás do roubo de cargas, e é necessário atuar também sobre quem recebe, armazena e comercializa esses produtos. A integração entre polícia, fiscalização, inteligência e empresas ajuda a identificar essas estruturas e reduzir a atratividade econômica do crime”, conclui Panzan.
Fonte: FETCESP
