Dados da Motiva, empresa que opera com o Free Flow, indicam que 70% dos usuários da BR-101 no trecho Rio-Santos já utilizam a tecnologia; adesão salta para até 98% nos veículos comerciais
O pedágio eletrônico, conhecido como Free Flow, eliminou as paradas em cancelas, mas trouxe um novo risco: multas de mais de R$ 195 para quem não realiza o pagamento do pedágio no prazo. Tanto para pessoas físicas quanto para operações do transporte rodoviário de cargas, a adoção das tags de pagamentos automáticos diminui a chance de autuações.
Se há dúvidas sobre o uso da tecnologia, dados da Motiva, empresa que opera com o Free Flow na BR-101 no trecho Rio-Santos, revelam essa adesão por parte dos usuários. De acordo com o grupo, a adoção das tags de pagamento chegou a cerca de 70% na rodovia. Inicialmente, apenas 30% dos usuários possuíam a tecnologia.
“A tag é o meio de pagamento mais conveniente que existe para o cliente, pois o usuário passa pelos pórticos e recebe as faturas das operadoras de uma forma natural”, explicou o gerente executivo de Estratégia e Operações do Grupo Motiva, Jorge Pereira, em entrevista exclusiva para a MundoLogística. Adesão salta para até 98% nos veículos comerciais.
TAXAS DE INADIMPLÊNCIA NO FREE FLOW
Nesse cenário, ele apontou que, após um período inicial de aprendizado, a taxa de adimplência na BR-101 é de aproximadamente 94%. Esse número representa uma melhora em relação ao primeiro ano de operação do Free Flow.
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) indicam que, de março de 2024 a setembro de 2024, cerca de 8% dos usuários deixaram de realizar o pagamento das tarifas no prazo nos três pórticos em funcionamento sob concessão rodoviária federal na BR-101/RJ.
De acordo com o executivo, a tendência é que os índices de pagamento sejam maiores em trechos com maior presença de veículos comerciais. “Nos pórticos de Free Flow, onde se tem um maior volume de veículos comerciais, essa adimplência tende a ser até maior. Justamente porque os veículos comerciais já possuem o hábito de usar a tag por conta da segurança, da praticidade e da fluidez”, comentou. No trecho concedido para a Motiva, apenas cerca de 7% do tráfego é composto por veículos comerciais.
CUSTOS COM O FREE FLOW
Regulamentado pela Lei Federal nº 14.157/2021, o Free Flow é considerado pela ANTT como um sistema mais justo por cobrar proporcionalmente à distância percorrida. No entanto, os impactos financeiros são uma das principais preocupações do transporte rodoviário de cargas quando se trata do sistema de pedágio por fluxo livre.
Uma pesquisa do IPTC, de dezembro de 2025, revelou que 53% das transportadoras apontaram aumento nos custos com pedágio após a implementação do Free Flow, enquanto 30% não identificaram mudanças relevantes e apenas 18% relataram redução.
Realizada a pedido do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), o levantamento também mostrou que 81% das empresas entrevistadas afirmaram que precisarão ajustar as políticas de precificação de frete para absorver os impactos do novo sistema. Por outro lado, 19% não preveem mudanças.
COMO EVITAR MULTAS NO FREE FLOW?
Nesse sentido, surge a preocupação de como evitar multas no Free Flow. Para a MundoLogística, o superintendente de Operações e Tecnologia da Veloe, Alexandre Fontes, recomendou que a instalação das tags de pagamento automático é a forma mais eficiente de prevenir autuações.
O executivo ressaltou, no entanto, que é fundamental manter o serviço ativo e regularizado. “Também é importante manter a carteira digital em dia, com saldo ou pagamento da fatura em dia. Não adianta ter o serviço e não estar com ele em dia”, explicou.
Para quem ainda não utiliza a tecnologia, o cuidado precisa ser redobrado. “Sem a tag, o usuário precisa ficar atento durante a viagem e acessar os canais disponíveis para quitar as dívidas das passagens”, completou.
O QUE SÃO AS TAGS DE PAGAMENTO AUTOMÁTICO?
As tags de pagamento surgiram no Brasil muito antes da implementação do Free Flow. Introduzida no país no ano 2000, a tecnologia passou a ser oferecida por diversas empresas, incluindo a Veloe, que atua em todos os pórticos nacionais, inclusive aqueles de fluxo livre.
Segundo Fontes, as tags de pagamento automático são o modelo mais seguro e preciso de identificação. “A placa, além da possibilidade de não ser lida, pode ser lida incorretamente ou até mesmo ser fraudada”, comentou.
No entanto, a tag evita esse tipo de situação. A tecnologia garante que o pagamento da tarifa ocorra de forma automática e transparente, eliminando a necessidade de o usuário lembrar de pagar avulso após passar pelo pórtico.
O executivo também destacou que o uso da tag de pagamento pode gerar descontos tarifários, como o Desconto Básico de Tarifa (DBT) e o Desconto de Usuário Frequente (DUNF). Neste último caso, o usuário pode obter uma redução de até 90% no valor do pedágio, dependendo da frequência de uso do trecho ou dos pórticos, beneficiando principalmente quem percorre a mesma rota regularmente.
“Então, os benefícios e diferenciais que a TAG traz têm como pilares são segurança, eficiência e essa parte também de vantagem para o usuário”, acrescentou Fontes.
TAG PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS
O vale-pedágio obrigatório determina que o pagamento da tarifa de pedágio nas operações de transporte rodoviário de cargas deve ser realizado antecipadamente pelo contratante do frete.
Dados da ANTT revelam que o sistema de vale-pedágio obrigatório movimentou mais de R$ 7,14 bilhões em emissões registradas entre 2025 e 2026 no transporte rodoviário de cargas no Brasil. Ao mesmo tempo, a fiscalização do mecanismo acumula 244,8 mil autos de infração registrados desde 2018.
Em relação ao vale-pedágio obrigatório, a Veloe também oferece soluções que facilitam a rotina do setor. Ao longo de 2025, a empresa registrou mais de 3,8 milhões de passagens em operações de Free Flow no segmento pessoa jurídica —valor representa uma média mensal de 319 mil passagens.
Para transportadores, o modelo da Veloe permite a antecipação do valor do pedágio diretamente na tag, simplificando o pagamento durante a viagem. Já para embarcadores, a operação pode ser integrada a sistemas de gestão, como TMS ou ERP, possibilitando o cálculo e a transferência dos valores de forma automatizada, conforme a rota escolhida.
A empresa ainda citou que as soluções voltadas ao vale-pedágio buscam dar maior controle às operações, com acompanhamento de relatórios gerenciais, auditorias de viagens e até planejamento de rotas.
Fonte: Mundo Logística
